O que é a dor pélvica crônica?

A dor pélvica crônica (DPC) é a dor frequente e abaixo da cicatriz umbilical que pode levar a consequências emocionais, sexuais, comportamentais e cognitivas.



“As dores pélvicas crônicas incluem tanto a dor que tem relação com o ciclo menstrual (cíclicas) como as sem relação com o ciclo (acíclicas). Considera-se dor crônica quando com duração maior que três meses para condições acíclicas e seis meses para condições cíclicas”, explica Dr. Rogério A. Gomes (CRM: 129.110), ginecologista especialista em endoscopia vaginal e parceiro da Clínica Mitera.


A dor pélvica está associada a alguma doença?


Existem mais de 120 tipos de causas da DPC na literatura médica, que podem ser ginecológicas, como a endometriose, adenomiose, doença inflamatória pélvica e miomas uterinos; ou não ginecológicas, por exemplo a síndrome do intestino irritável, a constipação crônica, a síndrome da bexiga dolorosa e a aderência pélvica.


Como as causas da DPC são muitas, neste texto, iremos falar apenas sobre as ginecológicas:


Endometriose: acontece quando o tecido que reveste a parte interna do útero, chamado de endométrio, cresce fora do órgão. A doença é um dos diagnósticos mais comuns em mulheres que têm DPC. Além da dor pélvica crônica, as mulheres que recebem esse diagnóstico podem também se queixar da piora expressiva, do desconforto durante o período menstrual e de dor durante as relações sexuais.


Adenomiose: é a presença do tecido do endométrio entre as fibras da musculatura do útero (miométrio). A DPC manifesta-se no primeiro dia da menstruação e associa-se ao sangramento anormal. Os sintomas aparecem geralmente aos 40 anos.


Doença inflamatória pélvica (DIP): ocorre devido à entrada de agentes infecciosos na vagina, que se propagam para o útero, tubas uterinas ou ovários. A transmissão desses agentes acontece por meio das relações sexuais.


Miomas uterinos: são tumores benignos formados por tecidos musculares. Aparecem, principalmente, em mulheres que estão na fase reprodutiva, ou seja, quando estão menstruando e podem engravidar.

Dr. Rogério alerta que, se a mulher com mais de 50 anos sentir uma dor que aumenta progressivamente, acompanhada da perda de peso e aumento do volume da barriga, é necessário procurar um médico para avaliação.


Ao sentir a DPC, a paciente deve procurar o especialista em dor, que pode ser um anestesiologista ou um clínico geral, e, dependendo da causa da dor pélvica, o médico deve direcionar a paciente para o ginecologista, urologista, neurologista ou proctologista a fim de realizar um tratamento multidisciplinar.


Como é feito o diagnóstico da causa da dor pélvica crônica?


Para detectar a causa da dor pélvica crônica, é necessário fazer o exame físico. “O exame físico deve incluir a palpação da parede abdominal e pélvica, toque vaginal, exame especular, realizado com um espéculo descartável que é inserido na vagina, e, em alguns casos, é feito o exame de toque retal”, explica Dr. Rogério.


Os exames tentam localizar o ponto doloroso na parede abdominal, assim como testam a sensibilidade dos dermatomas (área da pele em que todos os nervos sensoriais vêm de uma única raiz nervosa) com um cotonete ou algodão. Durante os exames, é possível realizar um bloqueio anestésico local em pontos dolorosos para confirmar ou excluir se aquele é o ponto doloroso.


“Os exames de imagem, geralmente, não são obrigatórios para iniciar tratamento da DPC. A ultrassonografia transvaginal é a melhor opção para a avaliação inicial complementar, embora falte uma padronização do que avaliar nessas pacientes”, acrescenta Dr. Rogério.


Se você estiver com dor pélvica crônica, leve-a a sério e procure um médico para investigar a possível causa!